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Griô


Minha pequena cadeirinha
É de madeira e já tem tanto tempo
É de madeira e de madeira resistente
Tão resistente quanto a mão carpinteira
Tão de madeira quanto o boi mugiu
Êêeee boi
Boi de tantos carros
Tantos carros que construiu
Com aquele chiado tanto boi reuniu
Fez do oficio diversão
E da diversão um oficio
E com os dois unidos fez música
E levou tudo junto
Pos tudo na mala
Os bois, a congada, a folia, a catira
Que bela melodia
E partiu pra Goiás
De Minas à Goiás
Goiás, terra de Cora
Levou filhos, netos, genros e noras
Um griô centenário
Um clã milionário
Nas folias, festas, almoços de Reis e do Divino
Quanta fartura
Quanto doce
Quanto menino!!!
E tudo era o medo do palhaço
Que não demorava um pedaço
Apontava na esquina,
Se tinha teimado, o medo era dobrado, o pai já conhecia!
O susto é que era a diversão.
Me lembro da sua cadeira
Sentado lá, no canto esquerdo da varanda olhando quem passar
Hoje olho pra minha cadeira e vejo um Bem sentar
Vejo a lei natural da vida
Uns vindo outros indo
É com saudades e emoção
que sinto o Catupé nas batidas do meu coração
Nesse dia em que nasceu: meu avô querido!

Leonídio José da Silva   
25.09.1907